Capitulo 1
Me vejo parada na entrada da Anzo, logo após seus portões
forjados e moldados em ferro, olhando para a colina, que sei me levaria para o
fim.
Já vivi essa cena antes, milhares de vezes, mas ainda assim
sinto meu corpo tremer prevendo o que estava por vir.
Começo a descer a colina, sinto cada cheiro, vejo cada folha
que cai ao longe, sinto a grama sob meus pés afundando a cada passo, minhas
pernas vacilam com a tremedeira da véspera, mas continuo firme. Eu preciso
descer, preciso fazer isso se quero acabar logo.
Passo pela porta de entrada, sei que não devo entrar aqui,
tudo está tão claro e fresco na minha mente que sei exatamente o que fazer.
Quando chego a porta do auditório que fica nos fundos do castelo, sinto meu
coração disparar como se fosse pular para fora, minhas pernas tremerem
violentamente a ponto de não conseguir dar mais nenhum passo, ouço minha
respiração alta e ofegante, nesse momento sei que já estão cientes da minha
presença, só esperando o abate.
Finalmente crio coragem para adentrar no auditório, me
lembrando da última vez que fiquei parada aqui. Assim como eu me lembrava todos
os alunos estão sentados em suas cadeiras, colocadas cuidadosamente em ambos os
lados do auditório deixando apenas um corredor simétrico e largo o suficiente para
a entrada de uma carruagem. Vejo Claudius posicionado no palco do auditório,
seus cabelos estão perfeitamente alinhados para trás em um rabo, suas vestes
são da melhor qualidade e se aliam ao seu corpo que não é másculo, porém é
forte, sei disso porquê estou prestes a sentir a força de suas mãos rasgando
minha garganta com apenas um golpe.
O despertador toca e eu saio da minha visão, respiro fundo
algumas vezes, para me acalmar, sei que não é real, mas meu corpo reage como se
fosse. Me levanto da cama lembrando mentalmente das aulas que terei hoje e do
meu objetivo “Absorver tudo o que for possível, todos são inimigos”, depois de
repetir meu mantra várias vezes enquanto me visto para aula, abro a porta de
meu quarto minúsculo e me dirijo para a aula de proteção e escudos.
Subo as escadas que ficam no Hall do castelo e viro a direita
na porta que dá acesso as salas de aula, passo direto pela biblioteca que é um
grande salão redondo, onde acredito ser o centro do castelo, passo direto por
ela sem olhar para o lado, o sinal toca e sei que estou encrencada, “merda”, eu
corro pelas escadas da biblioteca que me levam para o terceiro andar do
castelo, até que chego em frente a porta preta da aula de proteção, me dou
alguns segundos para respirar e entro.
“Droga!” Todos os alunos já estão em suas carteiras e olhando
para mim, “Não chamar a atenção” essa é minha primeira regra.
Me dirijo a carteira vazia na frente da sala, assim que me
sento sinto um frio na espinha, não preciso nem olhar para saber que um dos
Nicusor está sentado logo atrás de mim.
Os Nicusor são o clã mais influente e poderoso que existe
hoje entre nós vampiros, eles mandam e desmandam, agora ainda mais, já que tem
um primogênito eleito para assumir o trono dos Vasile, há mais de 18 anos
estamos sem rei, isso nunca aconteceu antes de um rei não ter um herdeiro, isso
é o que eles pensam.
Sorrio comigo mesma, pensando em meu segredo, não posso
perder a concentração, nunca, tenho que me focar em manter minha mente fechada
para que nenhum deles entre. E pela milésima vez na semana me transporto da
sala de aula, para focalizar o cadeado com trancas em minha mente.
Quando a aula de proteção acaba vejo um Nicusor plantado na
minha frente me encarando com seus olhos negros, esses olhos, “inferno, sempre
me perco neles”.
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