Entre
o Céu e o Inferno
Assim que ela o tocou Angel se sentiu como se tivesse
entrando em um balde de água fria e quando abriu os olhos estavam no lugar mais
lindo do mundo.
Angel estava no céu. Não que ela
nunca tivesse estado lá, mais sempre que Angel ia ao céu ela se surpreendia com
a tamanha beleza do lugar.
Era estranha a sensação das
nuvens em baixo de seu salto agulha, aquilo parecia uma ofensa às nuvens, era
como se estivesse poluindo aquele lugar cheio de luz, paz, amor e serenidade. Esses
sentimentos tomaram Angel assim que ela colocou seu salto agulha naquele lugar.
Os olhos de Angel ardiam, pois
no céu era muito claro, seus olhos se fecharam em pequenas fendas, mas logo se
acostumaram com a claridade. Angel sabia que qualquer luz era muita para seus
olhos. Já que no inferno não tem sol algum.
Lúcifer começou a caminhar em
frente Angel achou melhor segui-lo.
Eles caminharam sem avistar nada durante uns
cinco minutos. Quando se depararam com um monumento muito grande com uma porta
que Angel imaginou ser de ouro. O monumento era todo revestido em gesso, com
mínimas esculturas de gesso emoldurando o arco da entrada.
Angel ficou paralisada
apreciando aquela obra. Logo ela percebeu que Lúcifer também parou, mas não
para apreciar a obra e sim para se preparar para o conselho.
Lúcifer parecia meio
preocupado. Angel imaginou se ele estava tramando contra Deus de novo.
Eles se dirigiram até a porta
de ouro e ela se abriu sozinha como nos filmes de terror.
Angel entrou logo em seguida,
quase esbarando no pai, quando esse parou em um salão que fez Angel imaginar se
havia mesmo visto aquele monumento do lado de fora.
O salão tinha paredes brancas
e nele não tinham moveis, no salão só se encontravam três tapetes, muito
coloridos, no chão.
Lúcifer se sentou em deles e
Angel sentou-se ao seu lado com as pernas cruzadas.
-Olá querida Angel. Como você
esta?
A voz vinha do tapete á
frente deles, apesar de não haver ninguém sentado nele. Angel reconhecia a voz,
era a voz de Deus.
-Oi, vou muito bem e o senhor?
Era estranho pra ela
perguntar como Deus estava, era obvio que bem ele era Deus.
-Vou bem querida-
sua voz era doce e calmante quase uma canção. Angel poderia jurar que ouvia
sinos tocando quando Deus falava.
-Diabo preciso falar com
você- quando Lúcifer ouviu um de seus nomes soltou um rugido frio e áspero.
-Sabe que odeio esse nome,
tenho vários como você, mas prefiro ser chamado de Lúcifer é o nome que menos
me ofende.
-Está bem se isso importa pra
você. Acho que não faz diferença.
Ver Lúcifer nervoso com
alguma coisa fez Angel sorrir, a desgraça dele sempre á fazia feliz.
Agora a voz se dirigia a
Angel novamente.
-Angel poderia entrar naquela
sala só por alguns instantes?
Uma porta apareceu na parede
ao lado de Angel. Ela afirmou com a cabeça e se dirigiu para porta. Antes que
ela entrasse Deus falou:
-Logo a chamarei de volta.
Ela entrou, na sala encontrou
um pufe preto que lhe pareceu muito confortável e macio. A sala cheirava a
morango com chocolate, umas das sobremesas que Angel mais gostava de comer.
Angel ficou ali sentada sem
ouvir barulho algum durante um bom tempo. Quando Deus a chamou de volta na sala
o olhar de Lúcifer parecia presunçoso como se tivesse prestes a ganhar uma
aposta.
Angel se sentou ao lado do
pai como ante, esperando que alguém dissesse algo, mas ambos permaneceram
calados. O silencio na sala tinha uma tensão diferente como se houvesse uma
bomba na sala. Uma bomba que só Angel poderia desarmar.
-Senhor o que queria falar
comigo?
-Angel queria te fazer uma
proposta- Angel não sabia por que mais o estomago dela parecia um borboletário.
-Que tipo de proposta?- o sorriso
de Lúcifer aumentava a cada palavra.
-Queria lhe convidar para
passar um tempo no alojamento que os anjos amadurecem e se tornam anjos.
-Como uma escola?
-É um lugar onde todo o anjo
jovem tem de passar antes de se tornar um anjo adulto e me ajudar a cuidar do
mundo.
-E o senhor quer que eu vá
para essa tal clareira para ...
-Para aprender a controlar
sua força.
-Mas eu não sou um anjo.
-É sim. Você é filha de um
anjo, tem os dons de um anjo, é tão pura quanto um e não se esqueça de que o
seu nome significa anjo.
-Não me acho tão pura quanto um anjo, meu pai
foi expulso do céu e tenta destruir o senhor e meu nome só é Angel porque de
alguma forma meu pai imaginou que eu iria desonrar esse nome.
-Ele só conseguiu fazer com
que eu me sentisse honrado dando o nome de umas das criaturas mais puras que
existem para a filha dele.
-Obrigada. Suas palavras
sempre me confortam.
-Angel vai aceitar meu
convite?
Angel parou e pensou por um
segundo, só agora ela havia compreendido o sorriso de Lúcifer, ele estava certo
de que ela não aceitaria.
Lúcifer, apesar de ser um pai
ausente conhecia muito bem a filha que tinha, sabia que ela era antissocial e
que não suportava que as pessoas olhassem para ela.
Angel pensou muito, pois
sabia que era geniosa e que não suportava lugares aglomerados de gente.
Angel não suportava mais
morar no inferno com seu pai, e então decidiu que qualquer lugar é melhor que o
inferno.
-Sim eu aceito sua proposta
Deus. Espero que o senhor saiba o que está fazendo porque sou uma pessoa muito
geniosa e não se engane com meu rostinho bonito. De pura eu não tenho nada.
Lúcifer ficou rosa, depois
vermelho e finalmente roxo. Angel estava havia despertado a sua fúria, que
geralmente era despertada no final do dia quando as almas começavam a gemer.
-Angel você não vai ficar no
céu, eles só vão magoar você ou você espera que os outros anjos irão aceita-la
de braços abertos? A filha de Lúcifer o traidor, francamente se você está
achando que alguém vai gostar de você acho bom você acordar nem Deus gosta de
você. Ele só te quer aqui porque está com medo de que eu lhe ensine a usar seus
poderes e você se torne mais forte que ele.
Angel não queria ouvir as
palavras do pai, sabia que não era verdade, pelo menos Deus tinha que gostar
dela, ele ama todo mundo.
-Angel você sabe que não é
verdade, conhece seu pai melhor do qualquer pessoa no mundo e sabe que ele é
capaz de tudo para conseguir o que o quer.
Angel sabia disso, mas será
que seu mentiria para ela. Apesar de tudo o que ele fez e faz. Lúcifer sempre
tratou Angel bem, á sua maneira. Na
infância sempre que Angel queria uma boneca Lúcifer se virava em dois mais
sempre mandava uma Raills no mundo superior para buscar uma. Na adolescência as
vontades de Angel aumentaram e ela como toda adolescente normal queria ver suas
bandas de rock tocar ao vivo e á cores e Lúcifer arrumava um jeito de deixa-la
invisível para os humanos não a verem, como parte do castigo por ter nascido, Lúcifer
privou Angel de qualquer companhia que ela pudesse ter.
Angel se lembrou de tudo isso
desde a sua infância até o dia de hoje, mas também lembrou que seu pai era
Lúcifer o homem que traiu seu melhor amigo em busca de poder.
-Eu não acredito em você
Lúcifer. Você diz que me conhece tão bem então sabe que não vou me importar se
meia dúzia de anjinhos não gostar de mim. Eu faço qualquer coisa e aquento tudo
só pra não ter que ver essa sua cara que eu já tive que aguentar durante meus dezesseis
anos. –Angel estava furiosa.
Angel mordeu o lábio
inferior, uma coisa que sempre fazia quando estava nervosa ou insegura. Ela
queria que aquela conversa terminasse logo, pois não aguentava mais nem um
segundo á mais daquela barganha.
-Ótimo, eu criei você durante
todos esses anos da minha humilde vida e você me retribui assim com uma traição.
Eu sempre quis seu melhor. Tento fazer de nós uma família, minha Ange, vamos
para casa.
-Você nunca será feliz aqui,
mas se você quer fazer o teste fique e não venha chorar no meu colo quando eles
te exilarem- Lúcifer não enganava Angel com essa voz de falsete e essas
palavras, ela sabia que o pai era o Senhor das mentiras e das enganações e que
faria de tudo para que ela voltasse para o inferno. Apesar das palavras doces
Lúcifer encarava Angel a cada palavra como se estivesse desafiando ela a
contraria-lo.
-Qualquer lugar é melhor do
que ficar com você. Lúcifer você se esqueceu de que morrei com você 17 anos da
minha vida, eu não tenho medo de você- Angel e Lúcifer se encaravam como se
fossem fuzilar um ao outro ali mesmo no céu.
-Porque você faz questão de
ser falso? Não sou uma Ralls que quando você grita abaixa a cabeça e fica
quieta. Vou ficar aqui e aprender a me controlar- Lúcifer estava vermelho de
fúria, Angel sabia melhor do que ninguém, que quando seu pai se calava era
porque estava a ponto de explodir em sua forma natural, tirando a carcaça que
encobre o que ele realmente é.