terça-feira, 18 de junho de 2019

Livro: Uma Princesa em Ascensão; escrito por Karen Cristina


Capitulo 2

Razvan estava lá na minha frente me encarando, com sua melhor cara de projeto de drácula.
-Nicoleta? É esse seu nome né? -olho para baixo, seguro minhas mãos, sei que ele vai reparar nisso, estou nervosa e não posso demonstrar “Porque um Nicusor está falando comigo?” automaticamente me lembro de minhas visões e meu corpo começa a tremer, ele tão parecido com o pai, só que com o cabelo mais curto, mais musculoso e com a atitude de um principezinho mimado que tudo e todos aos seus pés.
-Isso, Nicoleta Dragos- estendo minha mão para ele que olha como se eu estivesse estendido um tolete de merda fresca. “Porque ele está falando comigo? Será que desconfia de algo? Será que deixei algum pensamento vazar?”
-O professor nos colocou juntos para treinar, parece que apesar de você ser uma medrosa e envergonhar sua raça com essa tremedeira toda, você é a pessoa que se iguala mais ás minhas habilidades na sala- “Gente o que eu perdi”, eu continuo com a mão estendida, como uma besta, para ele. Demoro uns quinze segundos para dar uma resposta a ele, mau presto atenção á sua ofensa gratuita, pois sei que não posso me impor e que meu objetivo é exatamente esse, ser a subestimada.
-Ahh, sim tudo bem, então vamos treinar- tenho o cuidado de olhar para baixo quando falo essas palavras para que ele não possa ver minhas presas e meus dentes rangerem de raiva e aversão, ele é filho do homem que eu jurei matar, que jurei fazer sofrer.
Assisto todas as aulas do dia, sempre focada no cadeado para me manter segura, para manter meu segredo seguro, eles dependem de mim.
O dia nasce na Anzo e eu finalmente consigo dormir, sei que está tarde e sei que não vou conseguir me concentrar nas aulas novamente, só consigo pensar que terei que treinar proteção com Razvan Nicusor, como vou conseguir manter meu segredo.
Quando finalmente adormeço o sol está a pino lá fora, entrando pela minha janela, para os humanos isso seria algo incomodo, mas para nós vampiros isso seria como o meio da noite, não que a luz do sol faça com que viremos pó, como a maioria dos humanos acredita, ela apenas incomoda, somos criaturas noturnas, mas podemos viver sob o sol.
Me vejo novamente na entrada da Anzo, minhas pernas tremem, minha respiração acelera e começo a descer a colina que se tornou meu mártir. Novamente encontro Claudius e todas as pessoas do auditório, mas dessa vez minha visão muda, quem está à frente do palco é Razvan, segurando a espada que por muitas vezes determinou meu fim, eu caminho até ele voluntariamente, me ajoelho, sabendo o que está por vir.
Acordo com um salto da cama, novamente eu tento acalmar minha respiração, já estou acostumada com essa visão, enquanto respiro a imagem daquele vampiro aprece em minha mente, com suas vestes negras, seu olhar é gélido, seus cílios são tão longos que minha visão dá um zoom em seus olhos só para velos fechar, seus lábios estão curvados em um sorriso, seu sorriso, como é possível odiar alguém tão mortalmente e ainda assim amar seu sorriso e com esse mesmo sorriso bastou um levantar de mãos, para que eu sentisse pela milésima vez o metal frio da espada perpassar minha garganta.
Me vejo sentada na cama novamente tentando me controlar a todo custo, mas minhas visões voltam a me atormentar, porém dessa vez é diferente, me vejo parada na frente de uma fileira imensa de livros, livros gigantes, lombadas de livros de livros maiores do que eu, eles estão dispostos em uma prateleira de madeira de proporção igual, de repente minha visão é guiada para um dos livros, que percebo tem duas setas em cada uma de suas extremidades, apesar de pequenas sinto meu olhar atraído por elas, minha visão continua se aproximando do livro cada vez mais, até que entro dentro do livro e me vejo em um corredor completamente branco.
Volto para minha cama, mas não abro meus olhos, tenho o cuidado de sentir tudo ao meu redor, aperto a colcha que entrelaça minha pernas cruzadas, só para ter certeza de que estou em meu quarto.
Me levanto automaticamente e visto minhas roupas, sem pensar muito no que estou vestindo, apenas pego a primeira calça preta que vejo em minha frente sabendo que esse é o uniforme da Anzo, desço as escadas do dormitório sozinha quando vejo Mila e Nick passarem ao meu lado junto a um grupo de alunos onde reconheço alguns rostos, eles sorriem e brincam entre si.
Uso meus poderes para tentar me infiltrar na mente deles e saber o que estão dizendo, Mila é claro, sente a presença de minha mente e me deixa entrar, vejo que estão rindo de um professor da Anzo que se atropelou nas palavras no meio da aula e tentou se infiltrar na mente de um dos estudantes, que reconheço estar no grupo, porém sua presença foi sentida e não conseguiu, a mente de todos ao meu redor me mostra o quão patético ele se tornou frente a sala e seus alunos, para um professor de seu nível acadêmico ele deveria conseguir se infiltrar na mente de qualquer aluno com facilidade, já que te milênios de experiência. Eu sorrio junto com eles quando me foco em ler os pensamentos de Nick, gostaria de poder compartilhar com eles desse riso, dessa inocência, enquanto me afasto do grupo sinto uma presença forte e conhecida querendo entrar e sei que é Mila querendo me passar o relatório do dia anterior.
-Que os projetos de drácula caiam- sua voz é clara e fina em minha mente, no mesmo instante sinto o conforto de ouvir uma voz amiga, eu adoro essa parte do dia, quando a Mila ou o Nick me passam o relatório. Tenho que ser invisível e por isso não posso conversar com eles. Seria tão fácil ser uma espiã como eles, me divertir e fazer amigos, mas não posso sair do personagem, a causa é maior, sempre foi.
-Caídos eles estão- respondo a nossa frase de segurança, como em todas as manhãs.
-Os Vasile reinaram, minha princesa
-Destruídos seremos- respondo a referência dignada somente a nobreza Vasile.
-Minha Senhora, infelizmente não tenho nada fora do comum para o relatório diário, ontem foi um dia como todos os outros.
-Tudo bem Mila, não imaginei que fosse diferente.
Enquanto nós afastamos sinto a inquietação na mente de Mila, mas não digo nada, sei o quanto é invasivo ter outra pessoa em sua mente, vivo isso desde minha nascença, até aprender a bloquear, até mesmo os melhores.
-Minha Senhora, não sei se seria de seu interesse mas o clã Nicusor planeja uma festa hoje á noite, não sei seria do interesse de vossa senhoria participar.
-Mila, pelo o amor de tudo, pare de me tratar assim- eu sorrio comigo mesma- Sabe que somos amigas, tenho um relato para você, mas com certeza já sabe.- Mila é uma de nossas melhores mentalistas, por isso pensa que está como meu braço direito na guerra.
-Sim, Nicoleta- ela pronuncia meu nome com sarcasmo, quem consegue usar de sarcasmo falando com a mente- sei que Razvan Nicusor, será seu parceiro nas aulas de bloqueio e terá que treinar com ele.
-O que acha disso Mila? Leu alguma coisa? Acha simples e pura coincidência? Ou acredita que o grande dia se aproxima?
-Vigiei a mente de todos durante toda a semana minha senhora, Nicoleta, mas você sabe que não consigo ler a mente dos Nicusor- continuo em silencio para que ela continue, estou adentrando a sala de história vampírica nesse momento, Mila passa por mim com seu grupo e faz cara feia quando passa por mim, sim o velho e bom teatro.
Às vezes me canso de ser invisível, só queria ter nascido como Mila, comum, sem nobreza, apenas lutando pelo certo, queria apenas ser um peão e não o mestre.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

A Jornada


Sabe qual a pior parte da jornada do rei?
Ele tem coração, mesmo querendo não ter, apesar de todas as suas atitudes e do que todos pensam, o rei tem coração e sente, mas seu coração é tão diferente de outros que tem pouco espaço e com isso é difícil preenche-lo com muitos grãos, seu coração também tem outra peculiaridade. Apesar de ser um rei, determinado, de ter vivido uma vida em um minuto, o rei não aprendeu a amar da forma comum, sofreu tantas traições que se tornou frio, porém havia ali naquele reino alguns grãos que o cativaram, mas pela falta de experiência, já que o rei nunca havia amado antes, o rei caiu em armadilhas, as armadilhas do amor. 
O rei sabe que são apenas grãos, não o amam da mesma forma, sabe que é enganado, mas ainda assim continua a ama-los e aceita-los. Você pode pensar que o rei age assim por falta de opção, mas não, ele ama, apenas ama.

domingo, 9 de junho de 2019

Dona de si


Hoje vou lhes contar sobre um rei, um rei que não enxergava, não via o quão grande o mundo é, não reconhecia que se ele não se considerasse rei, ninguém no mundo jamais o consideraria rei.
“-Cresça e apareça” era o que o rei escutava, ele está crescendo, cada dia mais. Como pode em um momento estar prestes a cair de um abismo e no outro ver toda a imensidão do mundo, nesse instante o rei determina para si que não se preocupará mais com um grão de areia.
Por que o rei se deixa atingir por um simples grão de areia? Se somos apenas mais um em milhares, bilhares...
-Não- o rei disse e refletiu sobre sua jornada até aquele momento, ele aguentou tudo, traição, medo, autodestruição, pena, sofrimento imenso, mas o rei não estava de pé ainda?
Decidiu não se deixar levar mais, afinal, não somos todos grãos?
O rei decidiu aprender com os erros, crescer e sim um dia, nem que seja na sua morte ele aparecerá.
Como uma criança aprendendo a andar, o rei continua a caminhar, ele não sabe pra onde, mas será que importa mesmo?  Será que o destino importa ou a jornada?
Só poderei lhes dizer daqui há alguns anos onde essa jornada levou o rei, mas uma coisa eu sei, sua cabeça se ergueu e quando isso acontece nada, nem um misero grão de areia insignificante irá derrubar o grande rei.