Capitulo 2
Razvan
estava lá na minha frente me encarando, com sua melhor cara de projeto de
drácula.
-Nicoleta?
É esse seu nome né? -olho para baixo, seguro minhas mãos, sei que ele vai
reparar nisso, estou nervosa e não posso demonstrar “Porque um Nicusor está
falando comigo?” automaticamente me lembro de minhas visões e meu corpo começa
a tremer, ele tão parecido com o pai, só que com o cabelo mais curto, mais
musculoso e com a atitude de um principezinho mimado que tudo e todos aos seus
pés.
-Isso,
Nicoleta Dragos- estendo minha mão para ele que olha como se eu estivesse
estendido um tolete de merda fresca. “Porque ele está falando comigo? Será que
desconfia de algo? Será que deixei algum pensamento vazar?”
-O
professor nos colocou juntos para treinar, parece que apesar de você ser uma
medrosa e envergonhar sua raça com essa tremedeira toda, você é a pessoa que se
iguala mais ás minhas habilidades na sala- “Gente o que eu perdi”, eu continuo
com a mão estendida, como uma besta, para ele. Demoro uns quinze segundos para
dar uma resposta a ele, mau presto atenção á sua ofensa gratuita, pois sei que
não posso me impor e que meu objetivo é exatamente esse, ser a subestimada.
-Ahh,
sim tudo bem, então vamos treinar- tenho o cuidado de olhar para baixo quando
falo essas palavras para que ele não possa ver minhas presas e meus dentes
rangerem de raiva e aversão, ele é filho do homem que eu jurei matar, que jurei
fazer sofrer.
Assisto
todas as aulas do dia, sempre focada no cadeado para me manter segura, para
manter meu segredo seguro, eles dependem de mim.
O
dia nasce na Anzo e eu finalmente consigo dormir, sei que está tarde e sei que
não vou conseguir me concentrar nas aulas novamente, só consigo pensar que
terei que treinar proteção com Razvan Nicusor, como vou conseguir manter meu
segredo.
Quando
finalmente adormeço o sol está a pino lá fora, entrando pela minha janela, para
os humanos isso seria algo incomodo, mas para nós vampiros isso seria como o
meio da noite, não que a luz do sol faça com que viremos pó, como a maioria dos
humanos acredita, ela apenas incomoda, somos criaturas noturnas, mas podemos
viver sob o sol.
Me
vejo novamente na entrada da Anzo, minhas pernas tremem, minha respiração
acelera e começo a descer a colina que se tornou meu mártir. Novamente encontro
Claudius e todas as pessoas do auditório, mas dessa vez minha visão muda, quem
está à frente do palco é Razvan, segurando a espada que por muitas vezes
determinou meu fim, eu caminho até ele voluntariamente, me ajoelho, sabendo o
que está por vir.
Acordo
com um salto da cama, novamente eu tento acalmar minha respiração, já estou
acostumada com essa visão, enquanto respiro a imagem daquele vampiro aprece em
minha mente, com suas vestes negras, seu olhar é gélido, seus cílios são tão
longos que minha visão dá um zoom em seus olhos só para velos fechar, seus
lábios estão curvados em um sorriso, seu sorriso, como é possível odiar alguém
tão mortalmente e ainda assim amar seu sorriso e com esse mesmo sorriso bastou
um levantar de mãos, para que eu sentisse pela milésima vez o metal frio da
espada perpassar minha garganta.
Me
vejo sentada na cama novamente tentando me controlar a todo custo, mas minhas
visões voltam a me atormentar, porém dessa vez é diferente, me vejo parada na
frente de uma fileira imensa de livros, livros gigantes, lombadas de livros de
livros maiores do que eu, eles estão dispostos em uma prateleira de madeira de
proporção igual, de repente minha visão é guiada para um dos livros, que
percebo tem duas setas em cada uma de suas extremidades, apesar de pequenas
sinto meu olhar atraído por elas, minha visão continua se aproximando do livro
cada vez mais, até que entro dentro do livro e me vejo em um corredor
completamente branco.
Volto
para minha cama, mas não abro meus olhos, tenho o cuidado de sentir tudo ao meu
redor, aperto a colcha que entrelaça minha pernas cruzadas, só para ter certeza
de que estou em meu quarto.
Me
levanto automaticamente e visto minhas roupas, sem pensar muito no que estou
vestindo, apenas pego a primeira calça preta que vejo em minha frente sabendo
que esse é o uniforme da Anzo, desço as escadas do dormitório sozinha quando
vejo Mila e Nick passarem ao meu lado junto a um grupo de alunos onde reconheço
alguns rostos, eles sorriem e brincam entre si.
Uso
meus poderes para tentar me infiltrar na mente deles e saber o que estão
dizendo, Mila é claro, sente a presença de minha mente e me deixa entrar, vejo
que estão rindo de um professor da Anzo que se atropelou nas palavras no meio
da aula e tentou se infiltrar na mente de um dos estudantes, que reconheço estar
no grupo, porém sua presença foi sentida e não conseguiu, a mente de todos ao
meu redor me mostra o quão patético ele se tornou frente a sala e seus alunos,
para um professor de seu nível acadêmico ele deveria conseguir se infiltrar na
mente de qualquer aluno com facilidade, já que te milênios de experiência. Eu
sorrio junto com eles quando me foco em ler os pensamentos de Nick, gostaria de
poder compartilhar com eles desse riso, dessa inocência, enquanto me afasto do
grupo sinto uma presença forte e conhecida querendo entrar e sei que é Mila
querendo me passar o relatório do dia anterior.
-Que
os projetos de drácula caiam- sua voz é clara e fina em minha mente, no mesmo
instante sinto o conforto de ouvir uma voz amiga, eu adoro essa parte do dia,
quando a Mila ou o Nick me passam o relatório. Tenho que ser invisível e por
isso não posso conversar com eles. Seria tão fácil ser uma espiã como eles, me
divertir e fazer amigos, mas não posso sair do personagem, a causa é maior,
sempre foi.
-Caídos
eles estão- respondo a nossa frase de segurança, como em todas as manhãs.
-Os
Vasile reinaram, minha princesa
-Destruídos
seremos- respondo a referência dignada somente a nobreza Vasile.
-Minha
Senhora, infelizmente não tenho nada fora do comum para o relatório diário,
ontem foi um dia como todos os outros.
-Tudo
bem Mila, não imaginei que fosse diferente.
Enquanto
nós afastamos sinto a inquietação na mente de Mila, mas não digo nada, sei o
quanto é invasivo ter outra pessoa em sua mente, vivo isso desde minha nascença,
até aprender a bloquear, até mesmo os melhores.
-Minha
Senhora, não sei se seria de seu interesse mas o clã Nicusor planeja uma festa
hoje á noite, não sei seria do interesse de vossa senhoria participar.
-Mila,
pelo o amor de tudo, pare de me tratar assim- eu sorrio comigo mesma- Sabe que
somos amigas, tenho um relato para você, mas com certeza já sabe.- Mila é uma
de nossas melhores mentalistas, por isso pensa que está como meu braço direito
na guerra.
-Sim,
Nicoleta- ela pronuncia meu nome com sarcasmo, quem consegue usar de sarcasmo
falando com a mente- sei que Razvan Nicusor, será seu parceiro nas aulas de
bloqueio e terá que treinar com ele.
-O
que acha disso Mila? Leu alguma coisa? Acha simples e pura coincidência? Ou
acredita que o grande dia se aproxima?
-Vigiei
a mente de todos durante toda a semana minha senhora, Nicoleta, mas você sabe
que não consigo ler a mente dos Nicusor- continuo em silencio para que ela
continue, estou adentrando a sala de história vampírica nesse momento, Mila
passa por mim com seu grupo e faz cara feia quando passa por mim, sim o velho e
bom teatro.
Às
vezes me canso de ser invisível, só queria ter nascido como Mila, comum, sem
nobreza, apenas lutando pelo certo, queria apenas ser um peão e não o mestre.